Filosofia Online


Sábado , 21 de Abril de 2007


Aula do dia 17/04

Simulacros

 

“Curso de Rádio e TV? Filosofia? Hã?”. Talvez muitos tenham se questionado quanto a isso, imaginando qual seria a relação entre essa profissão e a matéria citada. A Filosofia abrange infinitas questões do nosso dia-a-dia, é cultura geral, que todos deveriam dominar, principalmente nós, estudantes da área de Rádio e TV, se não quisermos “tropeçar” no ar por falta de conhecimento.

Hoje, se fôssemos assistir o filme Matrix novamente, depois da última aula que tivemos, veríamos a história com outros olhos. Tudo bem que o filme nos faz pensar nessa questão de o que é ou não real, mas quem poderia imaginar que o filme transborda Filosofia? O fato de não se ter um conhecimento básico nessa matéria (que estamos adquirindo durante as aulas) torna muito provável que questões importantíssimas para a compreensão da idéia central do filme passem despercebidas. Sem esse conhecimento não “enxergamos” ligações importantes como: o nome Morpheus, dado ao “mestre” de Neo, que é o Deus dos Sonhos na mitologia grega; a placa na porta do oráculo que Neo consultou, com os mesmos dizeres do Oráculo de Delphos, “Conhece-te a ti mesmo”; e ainda o livro utilizado por Neo para esconder programas piratas de computador: “Simulacros e Simulação”, do filósofo francês Jean Baudrillard, que faleceu mês passado.

 

 

Nesse livro, publicado em 1981, ele defende que a realidade que conhecemos não passa de sinais e símbolos = SIMULACROS. Daí sua fama de ser crítico da sociedade atual, da política, do jornalismo, da publicidade etc. Isso nos faz lembrar de uma aula do Prof. Sérgio Bars, há algumas semanas atrás: o fato de duas meninas terem tirado fotos no celular durante a aula, fotos delas mesmas, e mostrado as fotos uma para a outra, foi a deixa utilizada pelo professor para explicar o que é hiper-realidade. Atualmente, no mundo da tecnologia, uma foto é considerada por nós como sendo algo mais real do que a própria “coisa” fotografada. Que lógica existe em tirarmos uma foto de nós mesmos e mostrarmos para uma pessoa que está do nosso lado, que está nos vendo e que pode constatar o que de fato é real?

Escrito por dstrolezi às 01h05 PM
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Outro exemplo dado pelo professor: um anúncio em um outdoor, de um bolo de chocolate de aparência deliciosa, que desperta em todos nós aquela vontade de saboreá-lo. Isso é hiper-realidade. A foto, a imagem valendo mais, parecendo mais real do que a própria “coisa”. É como a imagem divulgada do Big Mac, que parece ser um lanche bem maior e bem mais saboroso do que realmente é.

 

 

Voltando a Jean Baudrillard, a idéia desenvolvida por ele de “falsa realidade” foi uma das inspirações dos irmãos Wachowski ao elaborar a idéia central de Matrix. O filósofo foi inclusive convidado pelos irmãos para colaborar nas duas seqüências da produção, mas recusou alegando que foi mal interpretado, negando ter servido de inspiração para o filme.

 

 

 

Enfim, essa questão de o que é real, se o que estamos vivendo agora é realidade ou não, se somos controlados por máquinas, se estamos sonhando, se somos guiados por um Deus ou estamos vivendo a esmo, originados ao acaso, por um acidente, através de poeira espacial, não sabemos. Como se explica essa sensação que às vezes temos de déjà vu? Podem existir mil explicações no campo da Filosofia, da Ciência ou da Religião, mas nunca saberemos qual delas é realmente a REALIDADE. Seguimos questionando a realidade, contudo continuamos vivendo nossas vidas, nesse ritmo frenético de acordar cedo, trabalhar, estudar, dormir, acordar cedo, trabalhar, estudar, dormir, e assim por diante, sem saber o que realmente estamos fazendo, por que estamos fazendo e SE ESTAMOS REALMENTE FAZENDO.

Escrito por dstrolezi às 01h00 PM
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